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sábado, 15 de junho de 2013

O iconoclasta:

Demoro duas horas para me vestir. Quando decido, na hora de escovar os dentes percebo que escolhi mal, me troco em cinco minutos e quando chego ao encontro, estou tão perfeito quanto as outras pessoas que demoraram horas para se vestir. - não é sobre aparência, talvez sobre algo guardado no bolso esquerdo da camisa.

Implicantes:

Só para distrair a mente perturbada, jogada brilhante desperdiçada com palavras inusitadas, provocação, carta marcada.
Se inverter qualquer parte acima verá que faz sentido?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Desmond - Parada


Não posso esperar
Enquanto me pede tempo
Esquecendo, ou tentando
Aquilo que guardou

Não há solução
Os passos dados marcam
Entenda-me no inverno
Espero o que não posso:
Lembrá-la aqui

Quem pedirá para tocar?
Sua mão novamente
Está brincando nas pernas
Batendo em descompasso
Agitando minha memória
Por muito tempo
Enquanto se perde
Tentando o esquecimento
Saiba, não posso esperar
Tanto assim, devagar
Nas luas que virão
Quando perceberá o mundo
Que me fez inspirar?
Estava caindo
Mas te segurei
Onde sempre esteve











quarta-feira, 12 de junho de 2013

O dia


Ah, eles disseram: estão aí! Para propagar essa infectologia. A cada pulo, pulo mais alto ainda, no lixo. Pelos afetos poderosos de um tiro, acordando para o disparo na testa. Somente um estrondo! Pegam pesado, com artilharia, tanques de guerra, bateria de setecentos mil volts. Acho que alguém me atingiu! Deve ser programado, os desgraçados estão se espalhando. Devo ter ouvido uma dor, sentido uma chama, acredito muito no barulho ensurdecedor da paralisia. Acorde! Doente, durante muito tempo em batidas insanas, vou testemunhar o cheque afivelado por dias, até que caia na conta. Desprezo, checo ideias fortificadas pelo sistema. No último dia do ano todos devem presenciar minha mente em estação contínua, um grito desperdiçado na mesa do DJ, algumas vozes de respeito, terroristas no meio de sussurros nacionais. Elas querem algo que não existe, um fingimento para disfarçar a casa pintada de branco, numa ocasião que supostamente diríamos o quanto os cantos pontiagudos que nos machucam são confortáveis. Isso sim é dia, uma proposta valente de um dia inglês. Espero os acordes apressados, cheios, emperrados, impregnados de situações... Contradições, esquece isso, agora comigo aqui, não existe mais, vagalumes cegos. Olha no cobertor que te oferece paisagens, siga o teu lugar num piano, diz quem vem e vai além, vai notar a estrela de um nó contíguo, na aproximação contínua de uma nota no fim da canção, que não acaba nunca...

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Sorveteiro


Há milhões e milhões de anos atrás o Inventor Maligno percebeu, com sua mais ousada astúcia, que pessoas adoravam o Sorveteiro Generoso, pois distribuía sorvetes gratuitamente para todos. Sendo assim, calculou estrategicamente e furiosamente uma maneira de ser adorado também. Mas ele sabia, ah sim, como sabia, que o Sorveteiro era apenas uma afirmação do real desejo das crianças, em serem melhores e generosas como ele. No entanto, o que infantilmente, e logicamente, não desconfiavam era que o Inventor pudesse se passar por Sorveteiro. Durante anos e muito mais tempo, inimagináveis armadilhas e peças foram moldando a razão de viver daquelas humildes e doces pessoinhas. Ah, era uma receita mais maravilhosa que a outra. Bom, Ele, para evocar seu truque de inventor maligno mais cruel, o Inventor Maligno seduziu e induziu as vozes de homens respeitáveis do povo, fazendo com que anotassem inúmeras receitas de sorvetes deliciosos para que recitassem à eles todos os dias, que mais para frente passou a ser recitado em um só dia da semana, contudo, os sorvetes eram consumidos várias e várias vezes por dia. Porém, infiltradamente, imperceptivelmente, ao longo de um pouco menos tempo agora, essas receitas acabaram prejudicando o convívio tão tranquilo daquela gente. Neste exato momento foi concluído e assinado o Livro de Ouro (do Sorveteiro), com a participação de incontáveis, ou melhor, contáveis mestres sorveteiros, só que eles diziam que o Livro de Ouro foi ditado pelo próprio Sorveteiro Generoso. O que passou fácil pela aceitação das famílias, é claro! O Sorveteiro alertava a cada receita que o Inventor poderia roubar suas façanhas, e com isso estragar todo o sabor adquirido perante eras de experiências dolorosas e, desvendar o melhor e mais rico achado da humanidade, o Amor, sim, o amor por suas criações tão magníficas. 
Foi assim que o Inventor Maligno conduziu-os para a dúvida, a discórdia e adoração às receitas do Livro de Ouro. O Sorveteiro Generoso cada vez menos vive nos corações das crianças. Hoje em dia eles se confundem, as crianças, o Sorveteiro, o Inventor, o Livro, tudo isso passou há milhões de anos atrás, não dá para saber muito o que se passou exatamente, não é criançada?!

domingo, 9 de junho de 2013

M de Complicação


Garota fria no sofá
Ela sabe como acalmar o interior
Oh, poderia dizer para me afastar
Mas cada palavra dela está morta
E a cada dia minhas certezas viram lei
Sabem porquê? Não consigo olhar em seus olhos
Não posso tocá-la sem sinceridade
Apenas chute o amanhã para a sobrevivência
Ei, garota! Deixe de complicar um pouco nossa vida
Sabia que está muito distante?!
Tudo bem, dois copinhos e um barbante
Resolve?
[risos]
O lance é que enxergo pouco a realidade de vocês
Permito-me sentir os milênios que virão do passado
Quando estamos maravilhosos
Toda gente procura o amor sem dizeres
Os anos passando como uma música do Floyd
Ah, quando começo a beber simplesmente desando
Não que isso seja um problema relacionável
É que o mundo continua a escutar o inaceitável
Os fantasmas do Senhor Irracional manda na verdade
Agora rezarei para as dúvidas virem de encontro
Pois os crentes estão tão certos que não cabem no dia de ontem
Os rios não se cruzam com o mar nesta canção
Nesta mesma canção...
Escute o vento, como um solo de guitarra do Sambora
Uma nuvem iluminada pelos raios de Sol
Luz entrando pela janela
Clareando seu corpo pálido
Imóvel...







sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mendigo cansado


Nunca comece com uma palavra o que ainda está acontecendo dentro de suas inspirações reflexivas, entre vaidade e sofisticação de ideias, o mundo na mão de um sorriso grato, está feito, somos apenas um entardecer triste por toda grama úmida. Não faz sentido algum, bem sei, é assim que a morte parece se divertir. Mas agora é sério, relaxe, os dias passam rápidos demais quando se olha para trás e percebe o quanto está caro o aluguel do mundo. Estão cobrando por sua vida, tudo, tudo mesmo: seu tempo, esforço, inteligência, distração, alegria, sábados, conhecimento, sonhos...
O que me cansa é a falta de luta por algo que mudará orbitalmente e em escalas multidimensionais tudo que existe... Tudo precisa de financiamento, não há lógica alguma nesse mundo de gênios idiotas, tão inteligentemente imbecis que param para analisar equações aterrorizantemente complexas e não resolvem a negligência racional da óptica evolucionária. Por que diabos atrasam viagens e estações espaciais por conta da burrocracia? Há recursos e técnicas suficientes para isso.  Apenas isso, é isso, isso que desanima, todos vocês estão como no dia em que disseram que o planeta é plano, e aceitaram numa boa, sem questionar nem o porquê da coisa, simplesmente o cômodo sempre esteve à disposição dos que afirmam possuí-lo. E hoje ditam que o mundo pertence a eles, aos criadores das cordas invisíveis, aos indutores do consumo... Estou rodando faz tempo e meu estômago não está muito legal, não por isso, vou dormir um pouco ali no banco.