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quarta-feira, 13 de março de 2013

Diga adeus ou não diga nada



Meio-dia, e meio, meia-noite, zero hora. Estou no mesmo lugar de ontem, agora e hoje. Continuo na caixa, desta vez foi por escolha. Deve ser o costume, sua voz que badalou no silêncio de repente. Antes pensava seguir para onde quisesse, no momento estou aqui refletindo, e amanhã saberei me adiantar. Estranho é poder enxergar no escuro o que faltou, transportando-me feito mercadoria, devolvendo o presente que roubou. Chegou, parou, abriu e carregou. Desta vez fui intencionalmente, simultânea complacência comodista agarrando-se ao outro. Tentativas exaustivas remontando o desencaixe, chance por erro, abraço e dissentimento, toda forma de poder transtornando o carinho, transbordando intranquilidade pelo caminho. Desejando um novo começo com a mesma sensação presa na garganta, inflamando a sugestão de que não há mais para ser, chegou ao seu fim.
Faz dias que não durmo direito... Boa noite, vou me deitar.
Naquela direção vaga, embaçada, mórbida... Já não está aqui. Vou aonde um lugar me leva, flutuando na bruma dispensada pela trégua do mundo. Só o passado molhando e esfriando o as dimensões, ainda não aconteceu o melhor. Também não me sinto presente. Desaparecendo e perdendo-me no que se foi, na fenda que corta dois planos sensíveis ausentes. Hoje, a noite, agora, ao acordar, ontem, pensei em você o tempo todo. São olhos no abismo instigando correntes de ar e fogo expostos, pulso frágil, o que me faz fluir.
Parado na encosta íngreme, sensações vertiginosas de um sorriso, de uma emoção sem igual na planície da lembrança. 
Simpatia suplantada e incandescente gritando aquilo que talvez nunca saberei, acariciando o que talvez seja inquietude compassiva. Soando cordas curativas, renunciando o máximo de sua ousadia, sustentada na superfície pragmática e gélida da opressão fatídica. Consentimento duplamente contraditório desejando uma incrível felicidade, jogado no seu discernimento; enfeite do egoísmo solidário, praguejando consigo mesmo o quanto poderia ter sido. Sim, não há dúvidas disso, acabou.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Somos o planeta



Você consegue entender a lógica? Imagine juntar lixo em casa: nos quartos, banheiro, cozinha e sala. Sinta o cheiro, veja a sujeira, ouça as moscas e experimente o gosto de qualquer refeição. Quando rejeitar esta imagem da mente cuidará mais de casa? Não? Minha casa é limpa, não é? Cuido para que não haja este tipo de desconforto, certo? Tudo bem. Como está a casa ao lado? Como estão as cidades, os estados, os países, as nações? Não há distinção, somos o planeta. Se pudéssemos ter energia infinita em casa, seria agradável? O que me diz da energia solar, eólica, geotérmica e das ondas dos mares? São mais viáveis que o petróleo em todos os sentidos racionais? São agressivos ao meio ambiente? Procure conhecer. Agimos racionalmente?
Pensemos em água abundante em casa. O que calcular das pequenas nascentes, dos grandes rios, dos oceanos? Água do mar não conta. Não temos conhecimento tecnológico para torná-la potável? Será que esta utopia já foi alcançada?
Sabe aquele mal-estar que não sabemos de onde vem e nem como vai? É quando temos que ir ao posto médico marcar consulta. Demora muito para sermos atendidos? Quanto tempo corre até ficarmos bem? Mas antes disso, até chegar a este ponto, sabemos por que precisamos nos tratar? Ah, o médico vai ver, não é?
Vamos supor que em casa temos uma espécie de mecanismo diagnóstico com leitura biogenética, proporcionando a máxima rapidez em qualquer ocasião adversa. Com isso, quero dizer que se em casa tivéssemos um médico disponível o tempo todo. Melhorou comparado ao sistema atual de saúde? Mas isso é realmente possível? O que é real, se não nossa capacidade de fazer o bem?! Quem está ajudando quando se trata de vida? Quem se preocupa em criar soluções efetivas para o bem-estar da população mundial?
Política, ciência, religião, indústria, educação, comunidade? O que precisa ser desenvolvido para alcançarmos o extremo imaginável do bem-viver? Nossa mente, corpo e alma? É complicado chegar a um consentimento com tantas interpretações de tudo que existe? Talvez refletir sobre esta máxima possa ajudar: somos o planeta.
Continuemos o raciocínio à nossa empática moradia. Sim, quero que você tenha tudo do melhor, o máximo de conforto e o principal, uma vida: de ideias e conquistas relevantes. Será que desse jeito, simples, tudo se encaixará? Posso ter uma mente desbloqueada? O planeta em que vivo me permite ter a cabeça leve? Livre de ideais e mais próximo do que posso aplicar? O planeta vive em harmonia sem a presença de humanos? Até quando os humanos suportarão o desequilíbrio ecológico?
Os “poderosos” com controle irracional não podem te oferecer mais do que ilusões, utopias e folclores. Em troca de quê? Você está sendo direcionado aos padrões consumíveis e críveis? Está sendo programado para consumir de forma destrutiva ou preservativa? O que eles querem? Estão te induzindo à crença cultural, reativa, criativa, efetiva ou afetiva? Ninguém te oferece o que você já possui. Eles estão te comprando com ouro e promessas?
Se vivemos intensamente alegres, por qual motivo precisaríamos de “propaganda da verdade”? Deixe-me explicar ou tentar justificar? Quando você está feliz com o desempenho e segurança de um veículo, com toda a possibilidade de funcionamento ecológico, há necessidade que alguém te diga o que te faz bem? Se este transporte te conforta, te deixa seguro e não causa nenhum mal ao seu mundo, por que existiria propagação alarmante dessa causa óbvia? Por que concordar com toda essa sujeira? Lembre-se da casa limpa. Precisamos mesmo da incoerência nos informando sobre o que é melhor para nossas vidas? Você não sabe? Rapidamente, o que somos? Ainda não está claro? Pois bem, sim ou não, somos o planeta. E mais! Espera aí! Como assim, mais? Se o planeta é o todo de partes e partes de um todo, o que somos? A lógica nisso tudo, sem cogitar qualquer semelhança especulativa. Sem deixarmos influenciar pela mítica divina e corrosiva dessa ganância imunda.
Atualmente somos a cria, o intervalo corruptivo do ecossistema, o teatro persuasivo da mente inescrupulosa; a morte da criatividade, do conhecimento, da evolução tangível. Somos a estória de terror, vendendo conto de fadas. O figurante de um roteiro escrito pelo monetarismo, trama em que o dinheiro atua como diretor e o ator principal é a ostentação vulgar. Somos a hipocrisia em cadernos escolares, nos livros de história e nos anais retrospectivos. A música torpe, pobre e grosseira da moda insolente; depreciando o mais alto nível de artes existentes à preço de integração social. Somos o animal selvagem com máscara humanoide. A liberdade contrabandista de uma sociedade ingênua. O uniforme da vergonha, da discórdia, da apatia e da imoralidade. Contudo, ainda sim, por mais que seja difícil aceitar, somos o planeta.  

sexta-feira, 8 de março de 2013

Deixa



O espectro no espetáculo envaidece quando a alma jaz pano de fundo

Disco-mundo rodopia zonzo por aí e nada faz o engano disfarçar
A inveja ensandecida pega pelo braço num vulto-traço colorido veloz
Abaixo, amassado pelo desprezo criado na vertente impotente do voraz
Colhida resposta, amarga, desce quente sem querer parar no submundo ocular
Sorriso prudente subindo viela, cumprida a balada do desdém 
Se tu sentisse culpa, não tocaria em mais ninguém

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Como se comportar



Comporte uma pessoa em uma embalagem por anos. Liberte-a e pergunte se está confortável. Evidente, já que os músculos não estão fortes para outros movimentos, não ser o de transporte. É certo que inflijam sofrimento se forem articulados de outra forma, ou no mínimo haja um grande desconforto. Basicamente assim que se programa a conformidade, a essência do controle massivo.
A mente não foi desenvolvida para refletir além do proposto, está condicionada a exercer funções; a levantar dúvidas que já estão solucionadas pelo sistema; a chegar a conclusões realizadoras, feitas sob medida para cada um. E em todas as embalagens: rótulos com especificações do que serão capazes de criar. 
A alma está entubada em um campo magnético extraordinariamente determinista, em sua relação mais vulgar. Enquanto as que almejaram a expansão racional e ultrapassaram o senso universal da razão, imposta, foram consideradas anomalias um tanto absurdas. Em alguns aspectos: anjos e demônios. Em outros: simplesmente pensadores e evolucionários.
Chegamos então a ordem prevista: trabalhe ajoelhado na formação de seu corpo, mente e alma. Após esta consolidação, tente ficar uma hora em pé. Tudo bem? A gravidade é algo sobrenatural! 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dormindo



Todos aqueles aspectos refazendo os estilhaços que cortou, e fez sangrar, toda roupagem que sustenta minha imagem na Terra. Atingindo algo num ponto cego que me leva as alturas, ao paraíso suscetível. O chão se abre, a forte corrente de ar me transporta do ódio à loucura, da paixão à satisfação alucinada. Correndo no ar, somente sensações que te deixam ir para longe de toda essa fraqueza; que sustento desde o dia em que você se foi sem avisar. Não é pensar apenas. Certamente o algo mais naquele momento em que não consigo encontrar, fez com que a única vida possível e aceitável fosse segurando carinhosamente, por poucos segundos, na ponta de sua orelha.
Tudo volta numa respiração profunda. No balanço daquele bosque em que sorrimos para a liberdade. O chamado que reverbera e diminui lentamente no sossego da euforia. Seguindo o brilho dos seus olhos carentes, transformando seu sorriso em passado eterno. O mal me testa, prende, seduz, auxilia; me traz sorte, confronta, elogia... Reflexos de ideias jamais pronunciadas em voz alta. Justifico-me em bondade e distância. 
Posso aceitar o choro dos céus em pleno resplandecer do dia. A fonte do abismo, o amor desfigurado nas fissuras do corpo permitido ao nada. Segredos nus transcorrem nas veias secas de um cadáver sombrio vagando na escuridão do oceano e onde mais consegue procurar. Perseguindo gestos iguais aos seus, seus passos em outro mundo, sua alma na Terra dos Mortos. Oh! De-me sua luz! Leve-me para casa. Tudo voltará se me der um pouco daquele calor novamente. Luz!
Procurando um pouco algo que parece iluminar. Guardando sua chama no eco da lembrança.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pressão do túnel



Partir a razão em duas com mentiras
Simplicidade, capturar a sensação refletida nos olhos
Habitual condição do engano constante
Debilitar-se com palavras não vividas

Morada em chamas no passeio do furacão
Manifestação sutil que segura sua fraqueza
Hábil malícia sorridente convidando o fogo
Desabrigar-se do medo catastrófico

Despir a intenção em direções como tiras
Notoriedade, inflar desejos seguidos no ódio
Harmoniosa falsificação do eu incessante
Delinear-se no plano de Midas

Parada na lama, no receio da compaixão
Infestação viril que surge na tristeza
Temporal, limpeza após a desolação
Deparar-se frequentemente consigo mesmo















segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sangue dos inocentes - O estranho


Um ciclo de tormento contínuo, a loucura permite esperançosa um "clic" de esquecimento prolongado. Folclore vivido na pele como verdade absoluta, um doce mais doce que o sangue dos inocentes; mais saboroso que o prato do dia. Inspirados pela fé ensinada, e irrevogavelmente aprendida, marcham nas marcas meridionais com bussolas magnetizadas. Seus comandantes revelam o poder divino com fogo de cifras nos olhos da verdade incontestável. Arquitetam moldes de liberdade por eras e insinuam batalhas vencidas à custo de inesgotáveis sonhos enterrados. Será uma vaga lembrança ou programações reativas de uma volta na roda gigante? Faço mesmo o que gosto? Penso sempre que posso? Questionar é fácil. Mas mais fácil ainda é o inquestionável. 
- Relaxe, vamos dar as mãos e fingir boas ações. Enquanto tomamos seu conforto e te largamos no esgoto. Vamos sim! Olha, estamos nos reunindo aqui para ajudar com o pensamento aquelas pessoas que passam fome ali. O mundo da imaginação é real, acredite! Você inventou um câmbio de troca apocalíptica e está aí para todo mundo ver. Divirta-se! 
Orbita em nós a energia do ser, a razão pragmática de situações e aflições vigentes. Deslocando corpos metafóricos, refletimos mais de um número imaginável de sentimentos por tempo indeterminado. Quem disse que não se pode fazer o bem com o pensamento? O nada deve existir para que aprendamos que nunca saberemos tudo e busquemos sempre o inconstante. Talvez. 
Caminho óbvio que ontem era sagaz e infrutífero. Ornamento da alma que subdivide o incomum em partículas tão próximas que ao juntar-se novamente nasce o amor provindo da insatisfação. Quem está completamente em paz com o organismo Terra? Não há esperança se viramos o rosto para a fatídica morte constante da evolução humana. O destino canta em nossas ações de desprezo. Perceba a diferença entre ajudar efetivamente e sentar-se num banco de praça observando a pomba ciscar o chão; pretendendo naquele momento que todos seres vivos sejam alimentados. Há uma conexão imperceptível no egoísmo depreciativo em questão. Estamos dormitando na prisão de nossos problemas, acordando livres na imposição frenética da indústria e sonhando com dias melhores em tempos remotos. 
Remonte a história, a lógica, a normalidade, o confiável, a educação, o passo seguinte... Nasça para a vida real!