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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mapa em chamas



Fotografias de sorrisos nunca tiradas retratam na paisagem quente do desejo um espetáculo intenso. Simples como sobreviver na floresta, observar farpas incrustadas em sua viagem e passear de guarda-chuva no fogo de lágrimas. Assim como garotas e garotos sentem o primeiro beijo, sendo comprometidos com a verdade. O luar, com um brilho castanho radiante numa curvatura sedutora entre nuvens, transbordando a solidão essencial. Solavanco, percepção, intuição; sabe-se lá o que me disseram sobre estar acordado em mim. Proposital, premeditando o reencontro. Poderia ter te avisado que sabia do escolhido, uma versão menos complicada da falta de comunicação emocional, entre seus pulsos nos olhares e minha garantia de atenção. Posso sentir o medo da perda em ti, uma locomotiva transcendente do amor e do vazio. Inconfundível relação de sofrimento e paz, discrição transvertida, uma aparição do descaso consigo. A vaga lentidão do possível e do que se foi tão rápido quanto o fim novamente. Volto a conduzir o navio pelo infinito azul de vendavais. Sombras respirando esperança, o violino calmamente soando entre a tripulação, enquanto o piano imediato sussurra e a volúpia dos ventos tocam o mar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Semblante


Estamos aqui formulando nossas expectativas de vida. Reconhecendo várias ocasiões de tempos remotos. Limpando tudo que pensaram sobre mim e sobre como o mundo acabaria. Posso cair no infinito e mesmo por isso, você pensará que está com razão, naquele lugar que pensamos que estaríamos hoje. Dentro de um turbilhão evolutivo, sinceramente olhamos para o agora, deixando de ser mais amorosos por pragas impregnadas do passado. Bem como eu, você também gosta de pessoas. Gosto de conhecer pessoas, gosto da relação indefinida a todo momento. Do instante, da emoção, da falta de percepção com tudo a ver entre ambos. Gostamos da impulsividade aleatória das palavras que formam uma sensação de procurar a verdade em tudo e nos perder em nada.
Isso é o auge da loucura e o ímpeto da evolução lógica!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Atirador


Escondido nos olhos de quem me observa. Trancado em simples motivações. Faço de suas palavras um esboço do que quer ouvir. Conspirando sorrisos com dentes apertados, como forma de lamentar o que já não consigo mais sentir, e vos digo os rabiscos antes anotados na mente, o que me fez chegar a ti.
Quebrado nos abraços carinhosos que recebo, fazendo-me pó de traças de minha própria quimera, tanasia, desconforto ou o que for. Constituindo pesares de lanças arrancadas do peito, tentando parar o que está presente todo o tempo. Cuspo em gotas de sangue rebuscadas: sentimentos, nos quais são lembranças abstratas. Observando ao longe a área de ameaça. Oh, não! Ele está ali parado. Sentando numa cadeira de ferro frio e ao lado um homem pode puxar uma alavanca a qualquer momento. Os homens são os mesmos. Os dias não enganam mais. A tormenta é rotina. A face a meia luz na sala é a vida que procuro em mim. Digo ao mundo quem não sou, para que descubram minha farsa e voltem comigo para onde quero chegar. Vivo ou morto. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Canto



Eles me chamam, na medida que percebo quanto os quero. Pessoas conversam num entendimento só delas. Homens, mulheres, e crianças de todas as idades e nenhuma certeza. A água calmante corre, o rio faz o fundo parecer seu universo. A luz encantada do Sol toca as pequenas folhas marrom-douradas, caídas por todo lado. O espaço entre os gestos torna-se perceptível à eternidade. Pássaros cantam entusiasmados, compondo os passos daquele homem sem rosto que caminha para seu destino. 

Eles são profundos, escuros e admiravelmente sedutores. Um deles leu minha carta. Mas porque agora?! Já estou crescido e não preciso mais de provas. Um deles desiste do chamado. Mas porque vai embora? Já está cansado e não precisa mais de mim. Vejo nos opostos um brilho, um trilho e escorrego. O vento mudo que mexe a paisagem a minha volta não me conforta, abre uma porta e me arrasta para o buraco úmido e triste. Mãos me cercam, pegam e sufocam no ar vermelho da morte. O sono me prega pelos calcanhares e movimenta minha alma pelo céu violento sobre o mar de sangue. Meus olhos estão secos e são o espelho da angústia experimentada pelo amor. Ossos quebram em minha cabeça sem parar. O gosto da bílis na boca é a única fonte para saciar minha sede. O chão move abaixo de meus pés, seguem não sabendo. A loucura de cores vivas rabiscando o céu, e a cacofonia de lamurias incólumes estão soltas pelo ar. O cansaço de correr para sempre em círculos faz do meu ponto uma queda de costas num espiral infinito. 
Ouço risos infantis abafados de brincadeiras com batidas de corpos n'água. Estranheza correndo em minhas veias, batida disforme no peito, saltos lépidos em direção ao desconhecido. Ah, sim! Eu consigo voar! Eu consigo. A chuva começa a cair... Não quero dormir, não quero...

sábado, 20 de outubro de 2012

O pálido sol vermelho




Minha mão treme. Sinuosamente as gotas de suor deslisam pela costeleta, chegando ao pescoço e mais. O lampejo no olhar define a observação: um nocaute numa luta à cegas. Um golpe de sorte, potencialmente e exaustivamente treinado. Os olhos do público sempre serão artesãos da multidão, varias mãos construindo um mundo baseado na dissimulação do que o estado de espírito propõe. Não consigo cantar para uma única pessoa mais! Onde estará meu mordomo? Eu não tenho direitos? (Risos irônicos) Confusão do eufórico com o melancólico, do leal com o caótico. Uma única vida num olhar, num espalhar de dedos reunidos como união para a vida toda. Um sonho! Um archote que foi aceso por necessidade. Sinceramente, minha pulsação me emocionou como se tivesse doze anos. E minha intuição conquistou seu coração, como se estivéssemos num só ritmo. Lugar assim jamais encontraremos. No entanto, quem garante que gostaríamos de um conforto socorrista como esse?! O mar está adiante, sob uma nuvem retorcida de desgosto e um azul pálido do céu que você não vê. A mentira é o azul. Esconde-se na neblina que criamos para subjugar o que queremos sentir. A dor responde, com a voz esganiçada de quem está sendo enforcada no momento. Isso porque gostamos de sofrer. Acreditamos que precisamos desse ar, desses ventos que enchem as velas de ilusão. Mas por favor, me diga que não é para a vida toda. Sim, pode me dizer em linguagem de sinais. Ah, como eu costumava aprofundar meu olhar nos seus movimentos e te contar como cada um deles formava uma palavra, uma emoção, uma verdade que sonhamos. Essas loucuras estarão sempre aqui! Oh, isso é demais para mim! Agora, só posso contemplar a natureza. Esperar o dia nascer, que o sol vermelho irá me iluminar... 

Olhos baços


Só quero a ansiedade para me acalmar
Sons vindos de qualquer canto frio
Um bom lar para chamar de lugar

Novamente com a cabeça no gelado do rio

Tento entender com a afobação de uma criança
Gestos feitos, palavras aceitas e o alimento que necessito, esperança...
Vida, anos perdidos. Voz, frequência esquecida.
Ouvidos, acomodados e distorcidos...

Por onde será que meus olhos andam?

domingo, 23 de setembro de 2012

Despertar



Foram-se o pó de sorrisos que estavam na gaveta do amor ao próximo. Voltou o coloridodo céu do ártico em pensamento. Misturas sólidas quebraram-se em um milhão de pingentes dourados e cristalinos sob a nossa volta, com a sensação do espalhar da aurora nos cobrindo magnificamente.
Não estava mais só naquela noite. Não sentia mais desprezo no frio, só desculpa para te aquecer, preparar sua cama com peles e cheiros. Sentia a resposta do seu corpo na pergunta silenciosa que fazia a si mesma me olhando de volta. Dançando, num ritmo lento com os calcanhares pregados ao chão, joelhos em um malicioso e breve semicírculo, para um lado e para o outro. As mãos se laçavam à frente com os braços baixos esticados, meneando infantilmente a cabeça, e os ombros se moviam me chamando para deitar. 
Amanheceu, um rastejar luminoso em sua pele nua, passando por meia janela aberta pelo vento despreocupado da madrugada. Minha alma saiu do corpo por meio segundo quando despertou e flagrou-me hipnotizado. Sorriu, espreguiçou-se e... Estava vivo novamente
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