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terça-feira, 22 de maio de 2012

Renda-se ao Poder da Glória


São sensações jamais imaginadas
Uma errata mal informada nas trilhas sem pegadas
O caminho que diverte é o mesmo que entristece
Uma reta emocional com períodos de estresse
A viagem lúdica transformando o paralelo em real
Uma linha tênue entre a glória e o abismal
Sussurram os ventos da sorte
Enquanto saltita o magma da morte

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sem perder, me perdi



Foi na noite, num tempo ou templo nublado. Não sei bem. Ele se apresentou a mim como profeta dos novos tempos. Acreditei! Logo sugeri uma cartada e um pouco de bebida. Ele me apresentou um contrato, assinei! Por alguns bons anos desfrutei. Todo prazer que a carne pode me dar, sucumbi. Após isso, um longo, longo tempo na prisão da ansiedade; aflição, angústia, opressão, depressão e muitas dores mais. Acordando sem me lembrar de nada, numa espécie de catarse mental. Significando um entendimento sobre, não necessariamente como propriamente dito. Novamente, cuspido na Terra da discórdia. Me tornei cúmplice do descaso. Oprimi, angustiei, afligi, atormentei e causei muitas incertezas. Nisso que pensei quando me perguntava o que tinha feito pra merecer tudo que passei. Dizia eu que servia a caridade e ao bem, mas estava ganhando quando me perdi. É por isso que digo: ganhar ou perder quando se está perdido, tanto faz. Você já está derrotado. Pregado em seus “pecados” e seduzido pela ganância.   

Helton Gouvêa

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A resposta

Quando algo não existe tudo faz mais sentido:


Não há coisa melhor que o vazio quando se quer entender o que te completa.
Não compõe-se uma sinfonia simplesmente com harmonia. O silêncio é fundamental.
Não confunda o poder do ser, quando o maior é saber de si. 
Não pressione a contradição.
Não sintetize o ápice da razão. 
Não entenda o sentido com figuras visuais.
Não destrua o abismo da amargura. Contrabalance o doce do céu.
Não espalhe a loucura da paixão.
Não leia novamente sem a negativa que o não compreende.


Helton Gouvêa

domingo, 29 de janeiro de 2012

Homens invisíveis

Leio adesivos em postes. Reparo nas cores postas em fachada de comércio. Percebo a arquitetura em tom admirável. Critico numa conversa interna detalhes desajeitados, passando pelas ruas. Sinto a umidade do ar, para saber se irá chover. Sento, olho o mar.
Construo em pensamento: tiras bem humoradas do caos a minha volta. Lamento-o em seguida. Mas ainda rio. Estico vozes e torço objetos. Deparo o imperceptível e toco o invisível. Não paro de rir. Deito na areia, o céu está em partes azul com alguns toques esverdeados. O Sol aquece por trás das nuvens, que formam um trem soltando fumaça. Ouço no ouvido o farejar de uma criatura. Logo sua lambida o entrega, é um cachorro. Sorrio e convido a ficar ali comigo.
Fecho a mente e entro num labirinto, mais parecido com uma caverna. Está úmido e quente. Pareço alguém diferente, como se pensasse em códigos estruturais de possibilidades e probabilidades. Um antro da perdição se alastra em minhas idéias. Confunde-me, me joga perdido por horas no vazio. Abro os olhos, faz frio e é de madrugada. Estou com fome. Vou arranjar o que comer. Volto à selva de pedras. Peço ajuda, com minha tática desenvolvida ao longo dos tempos, eles permitem que me alimente. Corpo imundo, não me importo como estou. O mundo é minha casa, a solidão minha amiga e meu vício meu passaporte.

Encontro



Minha imagem reflete no fundo escuro do rio
Ri do penetrante espelho d'água tocando meus olhos
Tremem com a força da emoção
Gélido e pálido, nuance sensitiva
O ar imerso e dormente
Extremos insensíveis
Sons opacos, memórias... Silêncio.
Luz, imagens, confusão, barulhos, vozes...
Vida!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Relatório


Tão fúteis, mesmo assim com sorrisos altivos e condescendentes. A confusão é tentar encaixar em ordem o que estou refletidamente "sentindo", o que estou tentando mostrar, entender, assimilar. Olho para os que estão momentaneamente felizes com o pouco que seus governantes vos dão e imagino como seria a alegria plena dessas criaturas. Desvio um pouco o foco e estou dentro de uma criança... Estou lá, embaixo da mesa, brincando com meus amiguinhos. Onde o mundo se faz apenas dentre as quatro hastes e o pano que nos envolve. Tudo é tão simples, a espontaneidade nas atitudes é traduzida em paz irresponsável e agitação. Voltando os pulsos a velocidade do que  seria normal à eles, e à mim agora, nessa pele estranhamente quente, ouço palavras de agradecimento aos que ali estão. Algo como se fizesse algum sentido a vida, tivesse alguma lógica vinda de toda e qualquer pessoa presente. Sons muito altos com um contexto literário patético, e danças obscenas realçam a alegria dos idiotas denominados humanos. Essa é a felicidade que tanto dizem que sentem então? É assim que esses seres agem em comemoração a suas conquistas na conclusão de uma etapa de sua vida? É essa vergonha que deverei mostrar aos meus semelhantes quando voltar para o meu lugar de origem? Desrespeitam a moral e a intelectualidade de suas crias ao submeterem-nas a tanta irracionalidade assim. Seres ignorantes dominados pelo pensamento da minoria de sua raça, que também demonstra tolice ao deixar inerte os tantos mais de sua espécie. Tamanha é a falta de consciência dos humanos que tomam para si a riqueza que é de todos. Enquanto uns desfalecem por nada terem, estes outros usufruem como donos de todo conforto.
O Homem subverteu insanamente o significado de felicidade por ouro, conquista por ostentação e respeito por imagem.
De muitas coisas que vi na Terra durante essas 12 horas que aqui estive, esta é minha pequena contribuição para as pesquisas de campo da equipe.
Fechando a transmissão.

Distancia


No distante entendimento de um desvio, está o vazio que em algumas horas podemos chamar de dor. Em alguns momentos podemos definir como liberdade. Outros instantes, apenas solidão.
Algo para acalmar o tilintar das gotas de chuva do pensamento. Um solo onde podemos pisar descalços e sentir a umidade da terra batida, sentindo seu cheiro laranja fosco. Visitando com os olhos o gramado vizinho, que está verdinho e macio como as nuvens no céu. Ouvir o ritmo que o vento dá as folhas das árvores e poder mexer o corpo, em profundo consentimento a sua base harmônica. Acompanhar o canto dos pássaros com os pés, batendo-os nos ladrilhos coloridos da loucura. Refazendo, ressaltando e girando até a Terra parar. Até Ela estar em seu domínio. Até movimentá-la como bem entender.
Perceber que tudo está em sua imaginação. Sua forma de participar. Seu jeito de encarar. Aplaudir a natureza. Desconcentrar do lúcido. Sentir... Pousar... Estar.
Depois da curva vemos o que antes era um rabisco. Lá está o amarelo do Sol em tempo real. Aquecendo somente quem teve coragem de deslizar pelas vias do fantástico. Expandindo os reflexos da mente em centelhas de luz, formando mensagens de paz e reconfortando a alma. Refletindo, ecoando e sintetizando todas as vibrações calmantes que a distração positiva pode nos proporcionar. Sigo meu caminho, distante.  

Helton Gouvêa