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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Felicidade


Quem procura a felicidade pode até encontrar em algo, em algum momento, um dia.
Mas quem procura feliz, já sabe como lidar com ela quando encontrar.
Se no fim imaginar não ter encontrado, saiba que ela nunca fica do lado de fora. 

Helton Gouvêa

sábado, 3 de dezembro de 2011

Índios


Recebem a morte como uma dádiva, em proteção a natureza. Espíritos designados, cada um com sua missão. Uns cuidam da água, outros do fogo, da terra, do ar, das árvores, dos animais, da vida, do amor... Curadores da natureza, elementais, pacificadores, escudos invisíveis...        
Abrem os olhos para a vida, sendo novos seres, com almas velhas e experientes. Reaprendem a brincar e serem inocentes, sem deixar de sentir o grande poder que possui. Deixando para trás, cada vez mais, um pouco de sua arrogância e seus pensamentos negativos. Lutando contra si, no pior dos campos de batalha: Sua mente, seus medos, suas fraquezas e seus delírios cognitivos de autodestruição, são as barreiras mais pertinentes.
Fincam os pés, como raízes na terra. Respiram como se fossem o próprio ar. Abraçam sua família, aquecendo como o fogo. Deságua em prantos como a água, quando o homem branco destrói o planeta.

Helton Gouvêa

“Simples, mas de coração.”           
– Aos que habitam Belo Monte. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Terra sagrada


Corpo celestial, fruto do cosmo e símbolo de luz. Paz transcendental, alegre aquecimento espiritual, elevação d’alma... Multiplicação da visão por sua energia terrena, gravuras espectrais vistas por telepatia... Êxtase sentado na ponta do penhasco.
Contos e lendas passeiam por esta terra misteriosa. Grutas, trilhas, picos, arquiteturas, esplendores, personagens, canções, artes, pessoas, duendes, fadas, bruxas... Tudo se encaixa como um castelo de pedras, imponente sob a montanha.
Comida magicamente magnífica, sabores delirantes dos cultivos nativos. Cheiros essenciais ao paladar e prisões eternas a nossa saciedade. Truque perfeito dos caldeirões das bruxas.
Miragens naturalmente visíveis, como um sopro de dragão que nos causa um medo extremo. Beleza e grandeza da natureza que nos deixam vivos pra contar como foi sobreviver as suas quimeras. Brincadeiras dos duendes, habitantes dessa terra sagrada.
Noite encantada por canções e danças em um rito de agradecimento a vida. Céu incandescente, tranqüilizante ou simplesmente coberto por nuvens cinza... Magnetismo que nos deixa solto e pronto pro amor. Pó mágico das varinhas de condão das fadas, transmitindo paz entre os povos.
Ferramentas que martelam as pedreiras, carregamento feito no semi-árido... Construções erguidas, enfeites pros estrangeiros, realidade pros locais, comunidade unida e hospitalidade correndo no sangue. Pessoas humildemente gentis e simplesmente honestas, como tudo deveria ser.
O medo é uma das coisas ruins da fantasia, esse sentimento tem que ser dissipado com o tempo... Assim como as nuvens tempestuosas são, quando o vento sopra... Filosofia xamãnica das artes locais, como a canção dos sete sóis.
Olhando pra trás, enxerga-se cristais brancos pela estrada e ao alto, a montanha de pedras luminosas... Um sentimento saudoso que fica em mentes de bem e corações apaixonados. Passagens secretas nos levarão de volta a terra sagrada, quando estivermos preparados a viver novamente essa história fantástica.

Helton Gouvêa

Indicação de música para leitura: Velvet Green - Jethro Tull










terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sem poderes


Poderia estar com a Lua no bolso e dar Marte de troco, mas mesmo assim sem você, meu mundo ficaria incompleto. Poderia ter 1 real, 10 milhões ou ser dono de todo o dinheiro, mas nenhuma quantia valeria o quanto você me valeu e vale. Poderia ter sido Beethoven, Robert Plant ou um mendigo artista... Nenhuma arte me satisfaria tanto quanto teus desenhos de cabecinha redonda e membros de palitinhos. Poderia ter poderes como: força brutal, voar ou dormir a hora que quiser... Mas não teria tanta graça quanto o poder de ter você, em meus braços... Poderia ter inventado o telefone, bites ou a máquina do tempo... Mas nunca conseguiria dizer sim para você, com aquela maturidade jovial. Poderia ter colorido o mundo, feito mares e paisagens esplendidas... Mas nunca me impressionaria tanto, como a cor dos seus olhos correndo em minha direção, como o suor da sua pele nas tardes de verão, segurando um taco e gritando : Um, dois, três... Poderia ter escrito a bíblia, os dez mandamentos ou que te amo nas areias de uma praia qualquer... Mas nunca saberia o que sinto. Poderia ter entregue o convite que guardo comigo, em branco, para que um dia façamos algo... Juntamente com um CD de músicas românticas, e dizer que pessoa igual a você não encontrarei mais. Poderia ter sido ou feito muitas coisas que o tempo já não permitirá, mas mesmo assim penso que, talvez, um dia possa sentar numa cadeira de balanço ao teu lado e ser feliz. Assim, ter a paz que procuro.

Helton Gouvêa

Amar



Não é perguntar, para si mesmo ou não: “Por quê?”, “Pra quê?”, “Onde é?”, “Tudo bem?”... É simplesmente saber que o sorriso... O desembaraço... O gesto... Olhar... Cadência dos movimentos... Voz suave, tremendo, doce... Abraço firme, delicado, tímido, envolvente... Bom, realmente é saber que qualquer coisa com essa pessoa, te faz querê-la em seus braços... Em seus olhares... Em seus ouvidos... Em sua boca... Em seu delírio... Em pedaços vazios... Em harmonia... Em desacordo... Em volta... Dentro... Fora... Junto... Distante... Pois a quer de qualquer forma. Desde que seja livre para te querer. 
Dance só. Dance em silencio. Dance parado. Dance com os pés por baixo da mesa. Dance com a vida. Dance na vida. Dance para viver. Dance com suas escolhas. Dance para as suas escolhas. Dance hoje e sempre... Dance amando o ato livre de estar e sabendo que, em palavras, jamais saberá o que é o amor, sem ao menos ter sentido um pouco o medo de não ser amado.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Espasmo emocional


Tudo que tenho são pedaços desconexos de quem fui um dia
Tento juntar e formar a melhor figura para que o mundo sorria
Esforço-me tanto para agradar que esqueço de como eu sabia
Que o melhor de mim não depende da tua falsa alegria...
Mas agora, estes recortes descabídos como alegoria
Estão espalhados por toda parte do meu ser, minha dislexia
Emocional, como um caminho infindo de pura nostalgia
De não sei o quê, pois em um dos fragmentos dizia que eu morria...

Perdendo-me nos tamanhos, cores, espessuras dos retalhos, algo me induzia
Sobre um amor eterno, nas linhas mal juntadas restou a rebeldia
A perda, e as constelações de um álbum de figurinha
Aquele que daria a não sei quem e muito menos se valeria...
O passado tornou-se dor nos borrões ininteligíveis que asfixia
Cada instante que não lembro o porquê do que sentia
Assim, vou abraçando e concordando com o que acho que agradaria
Mais um, menos um, o importante é seguir sendo o que talvez seria...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Solidão

Sofrimento intermitente e continuo. Latente e sem aviso. Veio para ficar e disse pra me matar. Enquanto restar vida chorarei lágrimas de dor. Sob tudo fincou n’alma um vazio eterno e silencioso... Um buraco negro de lástima. Vento frio que aborrece minhas pálpebras e faz com que escorra lembranças tristes. Somente o desgosto habita a caixa indestrutível do meu peito. Nunca, é a palavra que dá sentido a minha felicidade a partir de hoje. Solidão, âncora que me estarrece os ossos, órgãos e pensamentos, a cada segundo e em cada movimento. Vela que me leva ao abismo de minhas aflições, dos meus martírios, dos meus pesares. Coisas que nem mesmo sei explicar. Mesmo vindo de mim. Estando em mim.                                                                                            Partindo como uma explosão angustiante de fora para dentro, vou implorando abandono. Para que tudo que fere, se vá. Deixe-me nu. Traga-me um sopro de vida. Uma esmola de carinho. Uma gota de afeição sublime no ar que paira a milhas de minha cabeça esmagada pela violência da amargura. Suplico a todas as forças do bem que tire esse escárnio de mal olhado de minhas asas. Peço um toque meigo em minha face retalhada pelo ódio de meu algoz. Conjuro em desespero o paraíso de anjos salvadores. Nada ouço. Nada me resta. Apenas o fim certo dessa morte lenta e impetuosa que me arrasta, arrancando as vísceras de discernimento. A ausência infinita do amor devora cada centímetro do meu corpo. Agulhas perfuram meus lábios, costurando-os e calando meus gritos de socorro... Mm... Mmm! Mmm! Mmmmmm!!!